Substância se tornou conhecida como princípio ativo do ozempic
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou dois novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida obtida por via sintética. Os registros foram publicados no Diário Oficial da União desta segunda-feira (17).
A semaglutida ficou conhecida por ser o princípio ativo das “canetas emagrecedoras” Ozempic e Wegovy, usadas no tratamento para a diabetes mellitus tipo 2. Médicos também receitam a substância para o controle da obesidade.
A Anvisa também aprovou um medicamento similar à base de semaglutida do laboratório Germed, vinculado à EMS. Neste caso, além do princípio ativo, a versão similar pode ter nome e características próprias, sem alterar o princípio ativo, além de embalagem e rotulagem diferentes do remédio de referência. Este produto será vendido como Semaclique.
O registro da agência reguladora reconhece o uso dos medicamentos aliado à dieta e aos exercícios físicos. Eles são administrados semanalmente e devem ficar armazenados em geladeira (em temperaturas de 2 °C a 8 °C) antes e depois de iniciado o tratamento.
A agência reforça ainda a necessidade do acompanhamento médico para o uso das canetas de semaglutida: “Como todos os medicamentos do tipo GLP-1, a semaglutida sintética está sujeita à prescrição de receita médica em duas vias”.
Apresentações dos medicamentos aprovadas pela Anvisa
Solução injetável de semaglutida 1,34 mg/mL em sistema de aplicação preenchido (multidose e descartável) com 1,5 ml + 1 caneta + 6 agulhas;
Solução injetável de semaglutida 1,34 mg/mL em sistema de aplicação preenchido (multidose e descartável) com 3 ml + 2 canetas +10 agulhas;
Solução injetável de semaglutida 1,34 mg/mL em sistema de aplicação preenchido (multidose e descartável) com 1,5 ml + 1 caneta + 4 agulhas;
Solução injetável de semaglutida 1,34 mg/mL em sistema de aplicação preenchido (multidose e descartável) com 3 ml + 2 canetas + 8 agulhas.
Suspensão foi determinada após transmissão ao vivo de caso de suicídio
A empresa Discord informou nesta segunda-feira (17) que interrompeu, por tempo indeterminado, a possibilidade dos usuários transmitirem vídeos usando o aplicativo de mesmo nome.
A suspensão preventiva da funcionalidade foi determinada pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), no último dia 12. A medida foi imposta para frear episódios de violência e de coação de menores de 18 anos de idade, como o que culminou com o suicídio de uma adolescente de 13 anos, moradora de Naviraí (MS), em 22 de julho.
“Em cumprimento à determinação da ANPD, suspendemos os recursos de vídeo do Discord no Brasil”, assegurou a companhia em nota divulgada na tarde desta segunda-feira (17).
Hoje terminava o prazo que a agência regulamentadora estabeleceu para a companhia cumprir a determinação.
Segundo a empresa, a suspensão das transmissões ao vivo e de compartilhamentos de vídeos não afeta as comunicações por texto e áudio e outros recursos da plataforma. Além disso, a companhia afirma que está “dialogando” com representantes da ANPD em busca de uma solução que lhe permita restabelecer as transmissões de vídeo para os usuários brasileiros.
“O vídeo é uma parte importante e muito valorizada da experiência no Discord, permitindo que nossos usuários se comuniquem e criem conexões significativas ao compartilhar experiências, jogar juntos e manter contato com amigos e familiares”, acrescentou o Discord.
A empresa classificou a morte da adolescente de Naviraí como “um caso devastador”, resultado de uma “situação muito séria”, uma “campanha coordenada de violência extrema conduzida em múltiplas plataformas” digitais.
Conforme a Agência Brasil noticiou, a ANPD determinou que a plataforma suspendesse preventivamente as transmissões ao vivo e os compartilhamentos de vídeos no Brasil após a Superintendência de Fiscalização identificar falhas na proteção aos usuários, principalmente de crianças e adolescentes.
“A medida cautelar de suspensão da funcionalidade de lives foi determinada pela Superintendência de Fiscalização em função de evidências robustas de que a empresa não adotou medidas razoáveis para prevenir e mitigar riscos de acesso, exposição, recomendação ou facilitação de contato com conteúdos ou práticas que representem graves violações de direitos de crianças e adolescentes no âmbito do seu serviço”, detalhou a agência reguladora responsável por zelar pela devida proteção de dados pessoais e pela aplicação do do Estatuto Digital da Criança do Adolescente (ECA Digital).
Estatal concluirá perfuração para estimar volume e avaliar viabilidade
A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado no bloco BM-FZA-59, na Margem Equatorial, em águas profundas na costa do Amapá. A estatal ainda deverá concluir a perfuração e realizar estudos para estimar o volume encontrado e avaliar a viabilidade de uma eventual exploração comercial.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, informou que a perfuração já alcançou cerca de 3 mil metros de profundidade em lâmina d’água e outros 3 mil metros em rocha. Segundo ela, ainda falta perfurar aproximadamente 1 mil metros até o fundo do poço.
“É uma descoberta que é fruto de um trabalho de anos, com muita tecnologia embarcada, muito esforço e muito investimento, mas que até agora confirmou todas as nossas expectativas de um potencial relevante de petróleo na Margem Equatorial, mais especificamente no litoral do estado do Amapá”, afirmou Magda, durante visita ao Oiapoque.
O poço Morpho está localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e a aproximadamente 500 quilômetros da Foz do Amazonas. A lâmina d’água no local é de 2.886 metros.
Segundo a presidente da Petrobras, ainda não é possível estimar o volume de petróleo encontrado ou o potencial de produção da área. A previsão é de que a perfuração seja concluída em 15 a 20 dias.
De acordo com Magda, desde agosto do ano passado, quando teve início a atual campanha exploratória na região, a Petrobras já investiu US$ 3 bilhões. A presidente informou também que as operações de exploração têm custo de cerca de US$ 1 milhão por dia.
A descoberta de petróleo em um poço exploratório, no entanto, não significa, por si só, a confirmação de uma reserva comercialmente explorável. Após a conclusão da perfuração, serão necessários estudos para avaliar o volume, as características do reservatório e a viabilidade técnica e econômica de uma eventual produção.
Próximas etapas
Magda Chambriard afirmou que a descoberta reforça as expectativas da Petrobras sobre o potencial exploratório da Margem Equatorial. Segundo ela, a estatal pretende dar continuidade às atividades na região.
“Se tudo der certo, e tudo está dando certo até agora, a gente tem o condão de produzir numa área que pode ajudar de uma maneira muito importante a recomposição das reservas da Petrobras e do Brasil”, disse.
Segundo a presidente, a Petrobras tem outros poços previstos no programa exploratório da região. A estatal também protocolou no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pedidos de licenciamento para novas perfurações na Margem Equatorial.
A Petrobras é operadora do bloco BM-FZA-59 e detém 100% de participação na área. O bloco foi adquirido na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2013, sob o regime de concessão.
Transição energética
Durante visita à região nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância da descoberta para o futuro da produção de petróleo no país. Ele afirmou, no entanto, que a exploração da Margem Equatorial não altera a estratégia brasileira de investimento em fontes renováveis de energia. “O país vai continuar sendo o país da inovação dos biocombustíveis e vai continuar sendo muito grande na questão do combustível renovável”, disse Lula.
Segundo Lula, o país deverá manter os investimentos em biocombustíveis e em outras fontes de energia renovável, ao mesmo tempo em que busca avaliar o potencial de novas áreas para a produção de petróleo.
O estudo da polilaminina liderado pela bióloga brasileira Dra. Tatiana Coelho-Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi publicado na Spinal Cord Society (ISCoS), uma das principais entidades mundiais dedicadas às lesões da medula espinhal, e saiu na prestigiada revista científica Nature. E o resultado chama atenção do mundo: seis dos oito pacientes tratados, ou seja, 75% apresentaram melhora de pelo menos dois níveis na escala neurológica AIS.
Todos começaram o estudo classificados como AIS A, o nível de lesão completa. Cinco evoluíram para AIS C e um chegou a AIS D, o nível mais baixo. O resultado também está registrado oficialmente no ReBEC, Ensaio Clínico Brasil. Outro dado importante: os pesquisadores não observaram piora neurológica nem evento adverso grave atribuído à aplicação da polilaminina. 3 participantes morreram durante o acompanhamento na primeira fase, mas esses casos relatados não foram relacionados à aplicação do remédio brasileiro, diz o artigo, informando que os casos foram analisados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e por um consultor clínico externo.
Depois do estudo, esse número subiu para 7, o último nesta quinta, dia 6. E a Dra. Tatiana disse esta semana, durante a Rio Innovation Week, que as mortes não teriam ligação com a polilaminina.
O que significa 75% de melhora
Os oito participantes tinham lesões medulares traumáticas graves e completas e receberam uma única aplicação de polilaminina diretamente na medula poucos dias depois do trauma. O intervalo médio foi de 2,3 dias. Todos começaram classificados como AIS A.
Depois do tratamento, seis apresentaram progressão (melhora) de pelo menos dois níveis na escala: cinco chegaram a AIS C e um a AIS D. O próprio registro brasileiro do estudo observa que a taxa de 75% é superior à conversão de até 15% descrita na literatura usada pelos pesquisadores para pacientes não tratados.
Isso não significa que seis pacientes voltaram a andar, mas que houve recuperação neurológica e preservação de função motora em diferentes graus. Três participantes também apresentaram melhora em exames neurofisiológicos que avaliam a transmissão de sinais pelo sistema nervoso.
E os três pacientes que morreram?
Esse é um ponto importante porque as mortes envolvendo pacientes que receberam polilaminina já provocaram repercussão na imprensa, que preferiu destacar nas manchetes as mortes, em vez de ressaltar que 75% tiveram melhora.
O estudo publicado agora informa que três dos oito participantes morreram durante o período de acompanhamento, porém, o artigo científico explica que as causas foram pneumonia, derrame pericárdico com tamponamento cardíaco e sepse, e não estariam ligadas à polilaminina. A explicação é fácil de entender: pacientes que sofrem lesões medulares agudas e completas, geralmente têm partes do corpo atingidas e perfuradas durante o choque que sofreram e isso pode provocar complicações respiratórias graves, cardiovasculares e infecciosas.
A própria literatura médica registra uma frequência elevada de complicações durante a internação desses pacientes. Esses casos foram revisados pela CONEP e por um médico externo. A conclusão registrada pelos autores é que as mortes não foram consideradas relacionadas à aplicação da polilaminina. E isso faz toda diferença.
Fotos: divulgação
Manchetes sobre mortes
Em fevereiro deste ano, algumas manchetes de jornais chamaram atenção ao associarem pacientes que receberam polilaminina às mortes. Esses três casos de 2026 não são os mesmos três óbitos registrados no estudo científico agora publicado.
Mas há um problema de comunicação: quando a morte aparece associada à polilaminina na manchete e a informação de que não foi estabelecida relação causal fica apenas no subtítulo ou no corpo da notícia, o leitor que vê somente o título pode entender que a substância provocou as mortes.
E os dados disponíveis não permitem essa conclusão.
Já chegou a 100 pacientes
Enquanto os estudos científicos continuam, a polilaminina também passou a ser disponibilizada em situações específicas por uso compassivo no Brasil.
A Anvisa disse que recebeu 128 pedidos de uso compassivo de polilaminina: 71 pedidos foram judiciais e 57 não judiciais. Desses, 110 foram autorizados e 18 não autorizados.
Em julho, o Só Notícia Boa revelou que o tratamento havia chegado à marca de 100 pacientes, segundo Mitter Mayer, coordenador do grupo de trabalho do uso compassivo da polilaminina.
O número é bem maior do que os oito participantes deste primeiro estudo acadêmico, mas esses casos não podem ser somados ao ensaio para concluir eficácia. O uso compassivo não possui o mesmo desenho, controle e coleta padronizada de dados de um ensaio clínico.
Antes disso, em junho, a Reuters havia informado, com dados da Anvisa, que 84 pessoas já tinham recebido autorização para acesso compassivo à polilaminina, 44 delas por decisões judiciais.
Nova fase
O estudo publicado agora é resultado do projeto piloto realizado com oito pacientes recrutados entre dezembro de 2016 e janeiro de 2021.
É diferente do novo ensaio clínico de Fase 1 autorizado pela Anvisa em janeiro deste ano. Esse estudo regulatório começou com previsão de avaliar a segurança da polilaminina em cinco pacientes com lesões medulares agudas completas.
Agora, com a publicação dos resultados do primeiro estudo em humanos na Spinal Cord, os próprios pesquisadores defendem que a abordagem avance para estudos controlados capazes de responder a pergunta que ainda falta: quanto da recuperação observada nesses pacientes foi realmente provocada pela polilaminina.
Mas é inegável que ela provocou melhoras na maioria dos pacientes em que foi aplicada.
O evento reuniu igrejas de diferentes denominações evangélicas em uma grande demonstração de fé, comunhão e adoração
Milhares de fiéis participaram, neste sábado (8), do encerramento da 31ª edição da Marcha para Jesus em Feira de Santana. O evento reuniu igrejas de diferentes denominações evangélicas em uma grande demonstração de fé, comunhão e adoração, percorrendo a Avenida Getúlio Vargas e encerrando a programação com apresentações musicais e momentos de louvor.
Um dos destaques da programação foi a participação da Banda Manancial. O vocalista Messi destacou a emoção de fazer parte de mais uma edição do evento e de levar uma mensagem de fé ao público presente. “É uma alegria muito grande participar da Marcha para Jesus em Feira de Santana. Ver tantas pessoas reunidas adorando a Deus e celebrando a fé é algo emocionante. A música é uma ferramenta para transmitir esperança e aproximar as pessoas de Deus, e poder fazer parte desse momento é uma bênção para todos nós”, afirmou.
A programação teve início às 14h30 com a tradicional caminhada, que saiu do final da Avenida Getúlio Vargas em direção ao palco principal do evento. Durante o percurso, os participantes acompanharam apresentações de diversos artistas do segmento gospel.
Após a chegada da marcha, a programação seguiu no palco principal, que contou com os shows de Fredson e Banda, Nel Santos, Som Salvador, MC Vitinho, Samba para Cristo, Elias Marcelo, entre outros artistas e bandas.
O prefeito José Ronaldo acompanhou o evento e ressaltou a importância da Marcha para Jesus para a cidade. “A Marcha para Jesus já faz parte do calendário de eventos de Feira de Santana e representa um momento especial de fé, união e fortalecimento dos valores cristãos. É gratificante ver tantas famílias reunidas em um ambiente de paz, oração e confraternização”, destacou.
Fotos: Silvio Tito
Encerrando a 31ª edição do evento, o cantor Samuel Eleotério levou ao público uma apresentação marcada por louvores e mensagens de esperança.
Consolidada como uma das maiores manifestações públicas da fé cristã no município, a Marcha para Jesus reafirmou seu papel de promover a unidade entre as igrejas evangélicas e fortalecer os laços de comunhão entre os participantes.
A ação contou com a participação de diversas secretarias e autarquias municipais
Moradores do distrito de Jaíba foram beneficiados neste sábado (8) com mais uma edição do programa Feira em Ação, iniciativa da Prefeitura de Feira de Santana que reúne diversos serviços públicos em um único local, aproximando o atendimento da população e garantindo mais agilidade no acesso a direitos e serviços essenciais.
A ação contou com a participação de diversas secretarias e autarquias municipais. Entre os serviços oferecidos estiveram orientações da Secretaria da Mulher, atendimento do Procon, corte de cabelo e plantão de assistência social da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedeso), além de atividades promovidas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), como aferição de pressão arterial e glicemia, atendimento do Caps, triagem odontológica, marcação de consultas e exames, consultas médicas e pediátricas, testes rápidos e vacinação antirrábica. Também foram disponibilizados serviços do Cadastro Incra.
Durante a ação, o prefeito José Ronaldo destacou a importância do projeto para os distritos de Feira de Santana. “O Feira em Ação tem um papel fundamental de aproximar a gestão municipal da população, principalmente das comunidades mais distantes da sede. Aqui nós conseguimos agilizar o acesso a exames, consultas e diversos serviços, garantindo mais dignidade e cuidado com as pessoas”, afirmou o prefeito.
Fotos: Silvio Tito
A diarista Joseane da Silva esteve entre os moradores atendidos e aprovou a iniciativa. Ela aproveitou a oportunidade para realizar a marcação de exames e ressaltou a praticidade do mutirão. “Com essas ações a gente consegue resolver muitas coisas de uma vez só, sem precisar se deslocar várias vezes. É muito importante para a comunidade”, afirmou.
Um dos destaques desta edição do Feira em Ação foi a oferta do Implanon, método contraceptivo de longa duração disponibilizado pela SMS. “A oferta do Implanon representa um avanço importante na nossa política de planejamento familiar, porque amplia a autonomia das mulheres e facilita o acesso a um método seguro e de longa duração. Nossa expectativa era atender até 100 mulheres durante a ação em Jaíba, reduzindo a demanda reprimida e levando esse serviço diretamente às comunidades dos distritos”, afirmou.
Entre as mulheres atendidas estava a vendedora Adriana Cruz, que aproveitou a ação para receber o Implanon e realizar a marcação de exames. Ela destacou a importância de iniciativas que levam os serviços públicos para mais perto da população. “Hoje vim colocar o Implanon e também marcar alguns exames. Graças a Deus consegui resolver tudo o que precisava. Essas ações ajudam muito porque trazem mais rapidez e facilidade para quem mora nos distritos. É um benefício para toda a comunidade”, afirmou.
PL 2338 na Câmara prevê que big techs paguem por direitos autorais
O Impacto da IA no Jornalismo e a Disputa Regulatória no Brasil
O avanço da Inteligência Artificial (IA), especialmente por meio dos resumos gerados por buscadores como o AI Overviews do Google, está transformando profundamente o cenário do jornalismo profissional no Brasil. A principal consequência é a queda drástica no tráfego direto para sites jornalísticos. Como os usuários encontram as informações de que precisam nos resumos da IA, eles deixam de clicar nos links das matérias originais, restringindo sua pesquisa às plataformas.
Consequências para o Jornalismo e a Informação:
Crise Financeira: A redução da audiência prejudica diretamente a captação de publicidade e o financiamento dos veículos, que dependem dessas métricas para sobreviver. A Ajor (Associação de Jornalismo Digital) aponta que um em cada quatro de seus portais associados perdeu mais de 20% de audiência em 2025. O Business Insider, nos EUA, demitiu 21% de seus funcionários pelo mesmo motivo.
Prejuízo à Qualidade da Informação: Os resumos da IA não oferecem o conteúdo completo das reportagens, o que pode levar à descontextualização, comprometendo o debate público. Há também casos de cópia literal de conteúdo, configurando plágio. Especialistas alertam ainda para o risco de proliferação de fake news impulsionadas pelas mesmas plataformas.
O Caminho da Regulação e as Barreiras Políticas:
A principal aposta para mitigar essa crise é o Projeto de Lei 2338 de 2023 (Marco Regulatório da IA), em tramitação na Câmara. O projeto prevê a remuneração das plataformas digitais pelos direitos autorais dos conteúdos jornalísticos usados pela tecnologia. No entanto, o avanço da matéria enfrenta obstáculos significativos:
Lobby das Big Techs: A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) denuncia a forte pressão das empresas de tecnologia para retirar do projeto a parte que trata dos direitos autorais. As empresas alegam que a medida inviabilizaria o treinamento de novos modelos de IA no Brasil.
Paralisia Legislativa: Apesar da prioridade anunciada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, o projeto não avançou no último semestre. O relator, deputado Aguinaldo Ribeiro, defende a necessidade de mais debates, especialmente sobre a operacionalidade da remuneração dos direitos autorais. A comissão especial não se reúne desde novembro de 2025 e a votação deve ficar para após as eleições de outubro.
Posicionamento do Governo: O governo federal apoia a aprovação do PL, argumentando que o uso não autorizado de conteúdo para treinar IA sem o PL constitui violação da lei de direitos autorais.
Alternativas e Ações em Andamento:
Enquanto a regulação não avança no Congresso, outras frentes de ação surgem:
Ação no Cade: O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investiga se o Google abusou de sua posição dominante ao utilizar conteúdos jornalísticos em ferramentas de IA sem remunerar os veículos.
Acordos Privados: Grandes jornais como a Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo fecharam acordos privados com a OpenAI e o Google, respectivamente, para a remuneração pelo uso de seus conteúdos.
As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets no ano passado. O montante corresponde ao valor líquido, ou seja, à diferença entre o dinheiro apostado e o devolvido em forma de prêmio. Este valor equivale a uma média de R$ 4,7 bilhões por mês, considerando o período de outubro de 2024 a março de 2026.
As perdas equivalem a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias e consideram as transferências feitas por Pix para as casas de apostas. No mesmo período, as bets movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações via Pix.
Os dados constam do Boletim Fiscal dos Estados, divulgado nesta quinta-feira (6) pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), com base em estatísticas de pagamentos do Banco Central.
O estudo mostra que, desde a regulamentação das bets, em janeiro do ano passado, houve mudança no volume de transferências via Pix destinadas ao setor de artes, cultura, esporte e recreação, indicando maior comprometimento da renda das famílias com as apostas.
A lei que regulamentou as bets determina que as empresas bloqueiem o acesso de usuários identificados como compulsivos. Segundo o advogado Júlio Leone, porém, isso não tem ocorrido.
“Quando é detectado que a pessoa tem ludopatia, que é viciada, compulsiva em apostas, o algoritmo deveria travar a conta dela. Mas faz o contrário: manda mais bônus, mais vouchers, mais incentivos para que ela continue apostando. É aí que ela perde todo o capital.”
O boletim mostra ainda que, desde outubro do ano passado, quando entrou em vigor a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, houve desaceleração no ritmo das transações.
Segundo o Comsefaz, o resultado indica que a medida teve efeitos concretos sobre o volume agregado de transações, sugerindo que as famílias de menor renda tinham participação significativa no mercado de apostas.
Indicadores de 2025 crescem nos anos iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio. Saeb também mostra avanço na aprendizagem de língua portuguesa e matemática. MEC vai acompanhar de perto os municípios com mais dificuldades
De 2023 a 2025, em uma escala de 0 a 10, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino fundamental brasileiro nas redes públicas e privadas passou de 6 para 6,3 nos anos iniciais (do 1º ao 5º ano) e de 5 para 5,3 nos anos finais (do 6º ao 9º ano). Já o Ideb do ensino médio em ambas as redes passou de 4,3 para 4,5. Considerando apenas a rede pública, o resultado passou de 5,7 para 6,1 nos anos iniciais; de 4,7 para 5.0 nos anos finais; e de 4,1 para 4,3 no ensino médio.
Com esses resultados, o Ideb alcançou, nas três etapas avaliadas, os maiores valores da série histórica iniciada em 2005. Os dados do Ideb e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) referentes a 2025, que revelam o desempenho da educação básica brasileira, calculados pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foram divulgados nesta quarta-feira, 5 de agosto.
Durante coletiva de imprensa, o MEC anunciou ações para acompanhamento próximo dos 442 municípios que seguem com Ideb abaixo de 4,9 nos anos iniciais do ensino fundamental. Em 2023, eram 1.097 municípios nessa situação. Em 2005, há 20 anos, eram 4.110.
A pasta vai oferecer assistência técnica com ênfase nos processos de aprendizagem e acompanhamento de ações para estes municípios. Além disso, o MEC também prevê para outubro a divulgação do plano de ação e das metas que estão sendo construídos para atender às demandas do Novo Plano Nacional de Educação (PNE), focados em aprendizagem e, principalmente, em equidade.
Estados – Todas as unidades da Federação (UFs) tiveram resultados superiores nos anos iniciais do ensino fundamental. Nos anos finais, 24 UFs tiveram índices maiores, dois estados ficaram estáveis e um estado registrou queda. No ensino médio, 23 UFs subiram o Ideb, três mantiveram os índices de 2023 e uma registrou queda.
O Ideb reflete o desempenho dos estudantes e as taxas de aprovação em diferentes etapas de ensino. Em 2025, os dados do ensino fundamental nos anos iniciais refletem a realidade de 14,5 milhões de matrículas em 101 mil escolas. Nos anos finais, o índice retrata 11,2 milhões de matrículas em 61 mil escolas. Em relação ao ensino médio, os resultados do Ideb correspondem a 7,3 milhões de matrículas em 30 mil escolas.
Aprendizagem de língua portuguesa e matemática na rede pública – Em uma escala que vai de 0 a 500, no 5º ano do ensino fundamental, em português, a avaliação passou de 207,6 em 2023, para 215,1 pontos, em 2025; e em matemática, de 218,3 para 227,4. No caso do 9º ano do ensino fundamental, em língua portuguesa a média passou de 252,9 para 256,6; e em matemática, de 249,9 para 255,3. Já no 3º ano do ensino médio, em língua portuguesa, o resultado passou de 269,1 para 272,3; e em matemática, de 263,9 para 268,0.
Considerando a totalidade da rede estadual, que inclui o ensino médio tradicional e o ensino médio integrado à educação profissional e tecnológica, em língua portuguesa, o desempenho dos estudantes que cursavam o 3º ano passou de 271,7 para 275,8; e em matemática, de 267,3 para 271,4 no mesmo período.
O Saeb 2025 avaliou 5,9 milhões de alunos distribuídos por 73,7 mil escolas e 247,7 mil turmas em todo o território nacional.
Serviço assegura atendimento remoto, sigiloso e acolhedor, amplia o acesso ao cuidado em saúde mental e funciona como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), incluindo suporte a familiares
Equipe é formada por profissionais de psicologia, enfermeiros e outros profissionais de saúde capacitados
O Sistema Único de Saúde (SUS) passa a disponibilizar, a partir desta terça-feira (4/8), até 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental para pessoas com necessidades relacionadas a jogos e apostas. O serviço disponibiliza atendimento remoto, sigiloso e acolhedor, com orientação e acompanhamento profissional, além de suporte aos familiares. A iniciativa amplia o acesso ao cuidado em saúde mental e funciona como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância do teleatendimento.
Muitas vezes, as pessoas não procuram ajuda por vergonha ou estigma. Com o autoteste e o teleatendimento, elas podem identificar sinais de risco e se sentir mais à vontade fazendo esse atendimento em casa, pelo celular”, ressaltou
O acesso é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, que direciona o usuário à plataforma da AgSUS, parceira da iniciativa. A equipe é formada por profissionais de psicologia, enfermeiros e outros profissionais de saúde capacitados para oferecer escuta qualificada, com uma abordagem acolhedora, sem julgamentos e centrada nas necessidades de cada pessoa.
Quem tem o aplicativo Meu SUS Digital instalado no celular já recebeu uma notificação sobre a nova oferta do teleatendimento, com a mensagem: “O SUS ampliou o cuidado para quem tem problemas com apostas e para familiares. Agende pelo app Meu SUS Digital. O cuidado é para todos, sem julgamento”. O recado é importante para que mais pessoas conheçam o serviço e tenham acesso oportuno ao atendimento.
O serviço de teleatendimento voltado a pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas iniciou em março, com oferta inicial de 600 atendimentos mensais, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Diante da alta procura pelo cuidado em saúde mental no ambiente digital, a capacidade de atendimento foi ampliada para até 100 mil teleatendimentos mensais.
Como acessar
Para acessar o serviço, é necessário entrar no aplicativo Meu SUS Digital com a conta Gov.Br. Em seguida, o usuário deve clicar em “Miniapps” e selecionar a opção “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta”. Após realizar o autoteste, será direcionado à plataforma da AgSUS.
Na plataforma, é preciso aceitar o Termo de Uso para iniciar o acolhimento digital e responder a um formulário sobre sua situação. Em seguida, o usuário preenche seus dados cadastrais, informa se o atendimento é destinado ao próprio apostador ou a um familiar, escolhe a forma de contato e finaliza a solicitação.
Ao concluir essa etapa, o sistema gera um número de protocolo para acompanhamento do pedido. Após o agendamento da consulta, o usuário recebe automaticamente a confirmação do atendimento, o link para a videochamada, orientações para a preparação da consulta e lembretes sobre o horário e os equipamentos necessários.
As consultas psicológicas são realizadas por videochamada, têm duração aproximada de 50 minutos e ocorrem, preferencialmente, uma vez por semana. O profissional de psicologia poderá indicar um ciclo inicial de até dez sessões, seguido de uma nova avaliação. A partir dessa avaliação, o paciente poderá receber alta, ser encaminhado para um novo ciclo de teleconsultas ou para atendimento presencial.
Na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), as pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas podem contar com serviços como as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Atualmente, o Brasil conta com 3.120 CAPS em funcionamento, distribuídos por todo o território nacional.
Sinais de alerta
Entre os sinais que podem indicar uma relação problemática com jogos e apostas estão alterações no sono, na alimentação ou no humor, ansiedade e irritabilidade quando a pessoa não está jogando, dificuldade para reduzir ou interromper as apostas e sentimentos de culpa ou vergonha. Também merecem atenção comportamentos como esconder ou mentir sobre as apostas, comprometer o orçamento ou as relações pessoais e profissionais e recorrer aos jogos como forma de lidar com situações de estresse, ansiedade ou frustração.
Plataforma de autoexclusão
O Ministério da Saúde e o Ministério da Fazenda mantêm, em parceria, o Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, iniciativa voltada ao monitoramento dos impactos das apostas na saúde e ao desenvolvimento de ações de prevenção e cuidado. Entre as ferramentas disponibilizadas pelo observatório está a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite ao cidadão solicitar o bloqueio voluntário do CPF para impedir o acesso às plataformas de apostas autorizadas.
Mais de 1 milhão de pessoas já solicitaram a autoexclusão do CPF por meio da ferramenta. Entre os usuários, 35% indicaram a perda de controle sobre o jogo como motivo para a solicitação. Outros motivos informados foram a decisão voluntária de interromper as apostas (15,26%), dificuldades financeiras (11,82%) e recomendação de profissional da área da saúde (1,32%).
Só no período da Copa do Mundo, de 11 de junho a 19 de julho, 387.645 cidadãos solicitaram o bloqueio do CPF. O número representa 38% do total de autoexclusões registradas pela plataforma.